Tasusegada

é o nome da minha "filha mais nova", uma criança simpática, por vezes irrequieta, com morada em http://www.tasusegada.blogspot.com/

Nasceu por aborto espontâneo do vidartística, sinceramente pensei que me tinham apagado isto tudo mas, como nos computadores há sempre uma maneira de dar a volta ao texto, deu-se o milagre da ressurreição! Acontece que agora já não me apetece escrever mais aqui, são coisas que acontecem, a gente apega-se e depois não há maneira e pronto. É um desasossego esta criança, a outra também não obedece, enfim, terei que me resignar e vocês também...
Onde este blog acaba, começa o outro, pronto não se perdeu tudo, tenham calma, eu sei que a paciência é uma virtude em vias de extinção.
Ok, ok, já cá não está quem blogou!



Quarta-feira, Maio 07, 2008

A Comunicação Social

Houve tempos em que fui jornalista de profissão. Deixei de trabalhar nessa área mas continuo jornalista de coração. Ser jornalista não é apenas trabalhar num jornal ou noutro órgão de comunicação social, é um estado de espírito. É uma espécie de intuição para o que se está a passar e o que virá a acontecer. É estar atento e interrogar-se perante a realidade dos factos. É ler as notícias, saber o que se passou antes e perceber as consequências actuais e futuras dos acontecimentos.
Lamentavelmente, os jornalistas perderam um estatuto que os credibilizava perante a opinião pública. Em parte, isto deve-se ao facto de as empresas de comunicação social tratarem os jornalistas como meros funcionários administrativos e terem reduzido os postos de trabalho, exigindo mais horas e mais resultados vendáveis. Há notícias que vendem e notícias que não vendem. Privilegia-se o imediato, em vez de se apostar no conhecimento aprofundado dos acontecimentos, privilegia-se o insólito do fait-divers ao invés de se alargar o espectro noticiável. Causas e consequências seguem lado a lado: as redacções perderam a "memória" através das reformas antecipadas, das rescisões amigáveis e da contratação precária versus estagiários não-remunerados.
A outra parte da questão prende-se com a profissionalização das agências de comunicação e as assessorias de imprensa. Sabendo do que os jornalistas precisam, muitas vezes estas funções são preenchidas por ex-jornalistas que formatam a notícia e ela sai tal e qual como se pretende. O jornalista receptor não tem tempo para questionar a veracidade da informação e trabalhar sobre os dados que lhe fornecem. Até o título da notícia é fornecido e raras vezes susbtituído. Perante isto, é fácil transmitir mensagens erróneas e limitar o juízo da opinião pública.

1 comentários:

André disse...

Após ter tropeçado inadvertidamente neste blog, não consigo evitar deixar aqui o meu voto de concordância. Nunca fui jornalista, mas basta ser consumidor de jornalismo para se perceber que até este sucumbiu às pressões capitalistas às que devia estar alheio, carregando com isso as graves consequências sociais subjacentes. É terrível imaginar que a verdade jornalística já não é prioritária, face à ganância do lucro.
Ainda há um mês tive sérios problemas com a revista Sábado, que publicou um artigo sobre o meu trabalho porém encabeçando-o com uma imagem manipulada digitalmente que transmite uma mensagem em tudo contrária às minhas convicções, assim adulterando todo o contexto das minhas intervenções. Trabalho com tubarões potencialmente agressivos e, nesse tema, colocaram uma imagem da boca de um tubarão com sangue "digital" escorrendo dos dentes; quem ler o artigo vai sempre pensar que os tubarões são feras a exterminar... Enfim, fazer o qûe... Ainda tentei recorrer ao meu Direito de Resposta, e até escrevi um texto todo bem disposto sobre o assunto, mas cortaram-me cedo as pernas. Se tiver interesse posso enviar-lho para se inteirar de mais um exemplo de evidente abuso do poder jornalístico. O meu email é afonso.andre@gmail.com (afonso.andre[arroba]gmail.com)